11 de novembro de 2022

Sinto tão profundamente por cada grão de areia escorrido entre os meus dedos que quase não enxergo o brilho das pérolas restantes em minhas mãos.

Vez ou outra, percebo o quanto perdi tentando salvar pequenos fragmentos, coisas que pareciam invencíveis mas que foram desmanchadas pelas ondas sutis e suaves do tempo.

Dói pensar no que passou, nos rochedos e colinas imponentes, nos rios que se entrecruzaram de formas tão inesperadas.

Encontro o afago da liberdade ao saber que tudo corre no mesmo sentido, tudo deságua no mesmo mar.

Me agarro às pérolas, rabisco palavras e me desfaço.

Volto a ser eu mesmo, quem sempre fui, apenas mais um grão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário