Sinto tão profundamente por cada grão de areia escorrido entre os meus dedos que quase não enxergo o brilho das pérolas restantes em minhas mãos.
Vez ou outra, percebo o quanto perdi tentando salvar pequenos fragmentos, coisas que pareciam invencíveis mas que foram desmanchadas pelas ondas sutis e suaves do tempo.
Dói pensar no que passou, nos rochedos e colinas imponentes, nos rios que se entrecruzaram de formas tão inesperadas.
Encontro o afago da liberdade ao saber que tudo corre no mesmo sentido, tudo deságua no mesmo mar.
Me agarro às pérolas, rabisco palavras e me desfaço.
Volto a ser eu mesmo, quem sempre fui, apenas mais um grão.
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