22 de outubro de 2011

Quem é você?

Eu queria dizer sucinto
certa coisa estupefata
que, pudera, me arrebata
toda vez que me constrange

Mas não posso abster-me
desta dúvida encrostada
na profunda fenda achada
neste meu pensar falante

Porém, contudo, entretanto
sem prolongar esta espera
a indagação que se empoleira
vou afugentar agora

Faço cercos de fumaça
com semblante assombroso
direi seco e duvidoso
e daqui me vou embora

Pois escute a pergunta
que não espera resposta
Aglutine doce calma
e tome posse do seu tempo

São pendências de outrora
luta clara e fatigante
do senhor de Sancho Pança
com seus moinhos de vento

Perseguindo a navalha
que soletra a verdade
ilusões porém à parte
da carência do 'porquê'

Diga com sinceridade
e certeza provisória:
Qual o intuito destes versos?
E também, quem é você?