18 de setembro de 2011
"A vida é em vão". Foi isso que eu disse com uma naturalidade que me deixou espantado. Não que tenha sido a primeira vez que o digo, é claro. É que no final das palavras, eu percebi que elas tinham saído do fundo do coração. E foi assim que eu resumi a banalidade dos conflitos conosco e com as nossas escolhas: "A vida, minha cara, ela é em vão". Palavras assim machucam a alma, não é verdade? Não é coisa que devemos sair falando para os outros ou para nós mesmos. Mas o que fazer quando alguém lhe diz que talvez seja em vão tudo o que tem feito? Sim, talvez, muito provavelmente, seja tudo em vão. Porém, é preciso dizer que eu nem sei se acredito em mim mesmo. Contudo, é preciso ponderar algo. Não costumamos pensar na falta de préstimos da vida quando estamos felizes ou apaixonados. Não costumamos investigar a banalidade das coisas quando estamos amando. Talvez, um motivo para tudo seja apenas nos afastarmos destes pensamentos enlameados. Seja não pensar no propósito de nada. Esboçar um sorriso quando nos vier à mente a banalidade da vida. Abraçar a futilidade das escolhas. Ser apenas este misto entre tristeza e felicidade. Mas quem quer acreditar nisto é o meu eu poético. O mesmo que ficou espantado quando o meu eu concreto lhe disse aquelas palavras. E, na minha cabeça, eles passam horas argumentando, tentando convencer um ao outro de que suas conclusões são as corretas. Este é um de meus vários conflitos, uma das várias batalhas que eu travo. Por assim dizer, minha cara, quando eu lhe disse aquilo, era reflexo de uma guerra entre o que eu vejo com os olhos e o que eu sinto com a alma. "A vida é em vão". Será mesmo? Esta pode ter sido a minha mentira mais sincera ou a minha verdade mais falsa. E como vou saber? Espero que você descubra e me conte. E quando me contar eu vou acreditar nas suas palavras. Vou acreditar com uma razão e lucidez que eu não tenho creditado nem a mim mesmo. Mas não demore. A vida pode até ser em vão, mas a verdade é que ela passa.
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