2 de fevereiro de 2022

Usemos, irmãos de pensamentos, nossas últimas forças para nos deitar na relva e repousar. É justo que o fim nos encontre em nosso pacífico leito. Depois de tantas dores, cicatrizes, desejos, faltas; Depois de tanta juventude, tamanha sede... nos permitamos ficar pelo caminho, envelhecer. Talvez saiamos desta vida de mãos vazias e, por aceitar, nos perdoemos. Estejamos prontos para decepcionar o espírito jovem que arrastamos até aqui, para enterrar alguns dos nossos sonhos junto ao cadáver gélido do nosso intrépido passado. Em algum momento os nossos pés começaram à doer e não há nada que possamos fazer sobre isto. Vivemos mais do que deveríamos ter vivido, sentimos mais do que deveríamos sentir. Perdemos, no ápice de nossas vidas, o compasso final. O que nos resta é o patético lamento de quem passou do seu tempo. Portanto, irmãos de pensamento, limpemos a casa, lavemos as cortinas e nos aninhemos em nossos afetos. Vamos vestir nossa roupa de domingo e gastar os nossos melhores sorrisos. Não temos muita fé mas amamos e somos amados. Entre alegrias e tristezas, nada me dói mais do que a possibilidade de não termos estado aqui. Regozijemo-nos. 


Palavra da perdição,

Amém.

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